Para MPF, envio do caso Geddel ao STF pode ‘descortinar’ eventual envolvimento do deputado Lúcio Vieira Lima



   

No parecer que embasou a remessa ao Supremo Tribunal Federal (STF) das apurações sobre supostos crimes cometidos pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, a Procuradoria da República em Brasília ponderou que a ampliação das investigações poderá “descortinar” o eventual envolvimentos do peemedebista, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Na última quarta (13), o juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, remeteu o caso ao Supremo. O processo está sob a responsabilidade do ministro Luis Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

Ao receber as investigações sobre Geddel – que está preso preventivamente (sem prazo determinado) no Complexo Penitenciário da Papuda – o relator da Lava Jato pediu que a Procuradoria Geral da República (PGR) emitisse um parecer opinando sobre a necessidade de apurar a eventual ligação de Lúcio Vieira Lima com os supostos crimes cometidos por Geddel.

O caso foi remetido para a Suprema Corte porque, como deputado federal, Lúcio tem direito a foro privilegiado no STF.

No parecer do MPF, que a TV Globo teve acesso, os procuradores da República afirmam que “impõe-se a continuidade das investigações, a partir desse momento, com a análise dos elementos obtidos e a realização dos necessários atos investigatórios, inclusive com o fim de descortinar possível participação do depurado federal Lucio Vieira Lima nos ilícitos em apuração”.

Após a nova prisão do irmão, Lúcio Vieira Lima chegou a se ausentar da Câmara por algumas semanas. Na última terça (19), ele retornou à casa legislativa.

Em entrevista à colunista do G1 Andréia Sadi, o deputado do PMDB – que presidiu a comissão especial de reforma política – afirmou que Geddel “se defenderá nos autos”. Na ocasião, Lúcio não falou sobre as suspeitas de que ele teria envolvimento nas supostas irregularidades cometidas pelo irmão.

“Sempre defendi que todo cidadão brasileiro, quando sofre uma acusação, deve ter o benefício da dúvida e o amplo direito de defesa. E é isso que espero do Judiciário brasileiro: que dê a ele [Geddel] o amplo direito de defesa, que será manifestado nos autos”, disse o peemedebista ao Blog.

R$ 51 milhões em espécie

O parecer do MPF foi utilizado por Vallisney de Oliveira como argumento para remeter as investigações contra Geddel para o Supremo.

O documento relembra que foram colhidos elementos que vinculam Lúcio Vieira Lima ao apartamento de Salvador onde foram encontrados R$ 51 milhões em caixas e malas – a maior apreensão de dinheiro vivo da história da Polícia Federal. A fortuna foi descoberta em uma operação de busca e apreensão batizada de Tesouro Perdido.

Na ocasião, os policiais apreenderam uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, suposta empregada doméstica de Lúcio Vieira Lima.

Um dos donos do imóvel, o empresário Silvio Antonio Cabral da Silveira relatou à polícia que havia emprestado o apartamento para o deputado do PMDB, alegando que os dois são amigos.

Segundo a PF, o apartamento era usado por Geddel. Agentes encontraram impressões digitais do ex-ministro de Temer nas malas de dinheiro.